
Autor: Flavia Bruno
Doutora, Mestre e Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Graduada em Psicologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Professora Adjunto da Universidade Candido Mendes e da Faculdade São Bento do Rio de Janeiro.profabruno@gmail.com.


O pensamento aliado ao infinito – Deleuze e Novello intercessores.
Buscar caminhos que possam levar a uma mesma imagem do pensamento é a prática deleuziana por excelência e tais caminhos não precisam ser estritamente filosóficos, mas ao contrário, podem ser trilhados por qualquer outra disciplina, dado que não existe nem privilégio nem inferioridade entre a arte, a filosofia e a ciência, podendo ser, cada uma…


Sobre o Balcão de Jean Genet
O texto de Jean Genet “O Balcão” trata da alma humana em seus interstícios mais profundos e multifacetados, em seu funcionamento fora de sua superficialidade aparente. Ao longo de toda tradição metafísica clássica a alma é considerada o mais “divino” no homem e, portanto, seu funcionamento, bem como suas expressões, circunscreve-se em um diminuto aparecer,…

A lição de La Boétie em seu “Discurso da Servidão voluntária” – Parte 2
Os tiranetes e a Lei Como consequência ainda mais nefasta para essa relação de tirania em escala, é o fato desses tiranetes não serem os fora-da-lei da sociedade, mas ao contrário, serem precisamente aqueles que criam a lei. Ora, é a lei que deve dirigir e obrigar a ação humana, o que torna os tiranetes…

Por que escolhemos a escravidão? – Parte 1
Resumo Um dos paradoxos da filosofia política é a servidão voluntária. À primeira visto isso parece uma aberração, porque tanto o bom senso quanto a razão rejeitariam de plano a ideia de associar servidão e vontade, posto que a tradição política clássica sempre associou liberdade e vontade. Segundo esta tradição, escolher algo voluntariamente seria exatamente…

A lição de Barbara Cassin sobre a doxografia
Introdução Barbara Cassin, em sua obra Jacques, o sofista: Lacan, logos e psicanálise escreve um capítulo em que trata do problema da doxografia grega. Este tema, por si só, merece a atenção de todo e qualquer estudante de filosofia, posto que a maior parte do pensamento dos primeiros filósofos só se conservou por meio do…

Por um pensamento que supere a autoadulação
Há um paradigma fundamental amplamente disseminado e reproduzido pelo senso comum que remete a um momento específico da história do pensamento – a modernidade, e a consequente visão de mundo que daí se originou. O século XVII marca o momento da emancipação da razão, que se torna autônoma e audaciosa (o sapere aude), como diz…

6 Lições para a filosofia de Nietzsche – parte 6
Nietzsche: Vontade de potência e vontade de arte Para Nietzsche, a vontade de potência é o afeto originário da vida. Diz ele: “onde encontrei o vivente, aí encontrei vontade de poder” (2008a, 582). Essa vontade não é cobiça, desejo, aspiração; também não é a tendência a deter-se em uma posição já conquistada ou que…

Um delírio de aniquilação mascarado de salvação
Sartre, em seu texto A questão judaica, aponta uma questão fundamental dos nossos dias: o respeito e o valor dado à opinião. Sabemos, desde os gregos, que a opinião é fruto do modelo do poder democrático, da falência da forma eficaz de dizer. A chamada palavra eficaz só pode ser assim considerada em razão de…

6 Lições para a filosofia de Nietzsche – parte 4
Nietzsche: Para lutar contra o cansaço da vida 1 O Niilismo como projeto de aniquilação do homem O homem que vive sob o domínio do niilismo é o homem do autoengano. Para ele, mudança e bem-estar excluem-se e o estranho caminho para a felicidade se torna o caminho da unidade, do mundo permanente, do…

6 Lições para a filosofia de Nietzsche – parte 3
Nietzsche: A verdade como satisfação moral Tradicionalmente considera-se um enunciamento verdadeiro quando ele se adequa ao mundo, isto é, quando o real é assimilado pelo discurso e, em contrapartida, o discurso reproduz o mundo. Ocorre que, para desencantamento da epistemologia, Nietzsche diz que quando um filósofo ou um cientista estabelece uma verdade, isto não…